Sexta-feira, Maio 16, 2008
Foto de Zygmunt Ferentzi: Como era Gostosa a Minha Mãe!
COMPLEXO DE ÉDIPO
D.: Ödipuskomplex – F.: Complexe d'Œdipe – En.: Oedipus Complex -
Es.: Complejo de Edipo – I.: Complesso di Edipo
Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança
experimenta relativamente aos pais. Sob a sua chamada forma positiva,
o complexo apresenta –se como na história de Édipo-Rei: desejo da
morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual pela
personagem do sexo oposto.
Sob sua forma negativa apresenta-se inversamente: amor pelo progenitor
do mesmo sexo e ódio ciumento ao progenitor do sexo oposto.
O complexo de Édipo desempenha um papel fundamental na estruturação
da personalidade e na orientação do desejo humano.
In J. Laplanche e J.-B. Pontalis. Vocabulário da Psicanálise.
São Paulo: Martins, s/d. 6ª edição. (excertos)
"No primeiro tempo, temos a relação da criança com o desejo da mãe. É um desejo
de desejo. O falo é um objeto metonímico do desejo da mãe. Em virtude da existência
da cadeia significante, ele circula de todas as maneiras, como o anel no jogo de passa
anel, por toda parte do significado." Jacques Lacan,
por aly . 5:25 PM .
Quarta-feira, Maio 07, 2008
Foto de Fran Herbello: El Dia Que Me Quieras
LÍNGUA
Sem querer, ultrapassei a fronteira dos dentes
dela e engoli sua língua ágil. Agora a língua vive
dentro de mim, como um peixe japonês. Roça
no meu coração e no meu diafragma como se
eles fossem as paredes de um aquário. Levanta
sedimentos do fundo.
A mulher que privei de voz fixa os olhos grandes
em mim e aguarda uma palavra.
Porém não sei que língua usar ao dirigir-me a ela
- se a que roubei ou a que derrete em minha
boca por excesso de bondade pesada.
Zbigniew Herbert in Revista Piauí nº 20
- Maio de 2008.
Tradução de Paulo Henriques Britto
"A poesia de Zbigniew Herbert acrescenta à biografia da
civilização a sensibilidade um homem que não foi derrotado
pelo século que empreendeu, da forma mais completa e
eficiente, a desumanização da espécie humana. A ironia de
Herbert, sua discrição austera e sua compaixão, a lucidez
de seu lirismo, a intensidade de seu amor pela antiguidade
clássica, não são apenas ornamentos exibidos por um poeta
moderno, e sim a armadura - no seu caso, de aço bem
temperado e reluzente – de que o homem precisa para não
ser esmagado pelas investidas da realidade. Como não
oferece a seus leitores concessões estéticas nem éticas, esse
poeta os salva daquela pobreza que serve tão bem a todas
as formas do mal." Joseph Brodsky
"O inferno nos conhece, é a vida do dia-a-dia."
Jacques Lacan: Le Séminaire XVI,
por aly . 2:13 AM .
Segunda-feira, Abril 28, 2008
Foto de Albert de Culot
Nota d'aly:
O meu hospedeiro de imagens XPG Extreme WebHosting,
http://www.xpg.com.br/home/, suspendeu minhas imagos;
à exceção de três (tereis?) - que postei por outro provedor;
sem aviso prévio & mais nada. Estou providenciando outro
hosting, como eles dizem e nos deixam como o cidadão
acima.
Pospost: Sábado, 10 de maio de 2008
Plus ça change, plus c'est la même chose,
por aly . 1:49 AM .
Quinta-feira, Abril 24, 2008
De Rosa Maria: A Arte de Comer Bem. RJ: Officina Industrial Graphica (1ª ed. - 1933)
Receita (malograda) de lombinho de porco à mineira,
escrita a pedido, para um livro de culinária que não
foi publicado:
Olhe, Maluh de Ouro Preto:
mineiro sou, mas fraquinho.
Se não botava em soneto
a receita de lombinho.
De porco, bem caprichado,
que em Minas ninguém recusa
quando se apresente, assado,
à mesa, e conforta a musa.
Pimenta-do-reino, é claro,
e sal poria em meu verso,
alho (para um sabor raro)
e limão (outro diverso).
Quando saísse do forno
a carne - alvura macia -
dar-lhe-ia como adorno
áurea farofa... Sorria,
Maluh, pois que, em verdade,
devo confessar, baixinho,
com toda a sinceridade:
não sou de comer lombinho.
Carlos Drummond de Andrade
Nota d'aly:
Este poema-receita de Drummond, com prologuinho do autor,
não consta da edição da Nova Aguilar, Poesia Completa de CDA,
2002. Está num recorte* de jornal colado à página de rosto do
livro de receitas de Rosa Maria, A Arte de Comer Bem (obrigado,
Rosa Maria), que foi uma das fontes dos poderes culinários &
alquímicos de dona Anita, matriarca dos alys.
*Do recorte: Correio da Manhã (RJ), 30 de Março de 1968.
"O destino das nações depende do modo como elas se alimentam." Brillat-Savarin,
por aly . 5:56 AM .
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Bedroom Windows by Arthur Adlon: Softcover Library, 1965 (pulp fiction*)
É possível estabelecer relação entre a prática
psicanalítica e o trabalho do detetive?
Os dois possuem como ponto de partida a recusa
do dado, aquilo que se apresenta como verdadeiro
porque tido como evidência sensível, como certeza.
Mas o dado sensível é uma ilusão. Todo dado já é
um constructo. Daí, toda certeza sensível ser
ilusória.
O psicanalista e o detetive, e eu também
incluiria aqui a figura do filósofo, empreendem a
busca de uma verdade que está para além do dado
imediato. São práticas da suspeita. Mas, enquanto
os conceitos científicos são feitos de idéias claras
e distintas, os signos psicanalíticos são compostos
de obscuridade, ocultamento, tropeços, falhas,
esquecimentos. A ciência trabalha na plena luz das
suas idéias; a psicanálise, nas sombras e
obscuridades do desejo.
Luiz Alfredo Garcia-Roza em entrevista ao Estadão:
Caderno Aliás, Domingo, 13 de abril de 2008
*Nota d'aly:
O melhor da pulp fiction está consagrado em suas capas:
aqui e aqui.
"Nada é tão traiçoeiro como o óbvio." Joseph Schumpeter,
por aly . 12:59 AM .
Sexta-feira, Abril 11, 2008
L'Amour et Psyché por Baron François-Pascal-Simon Gérard, 1798: Musée du Louvre
O que quer dizer amar alguém? É sempre apreendê-lo numa massa,
extraí-lo de um grupo, mesmo restrito, do qual ele participa, mesmo que
por sua família ou por outra coisa; e depois buscar suas próprias matilhas,
as multiplicidades que ele encerra e que são talvez de uma natureza
completamente diversa. Ligá-las às minhas, fazê-las penetrar nas minhas
e penetrar as suas. Núpcias celestes, multiplicidades de multiplicidades.
Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre
um corpo sem orgãos a ser formado; e é no ponto mais elevado desta
despersonalização que alguém pode ser nomeado, recebe seu nome ou
seu prenome, adquire a discernibilidade mais intensa na apreensão ins-
tantânea dos múltiplos que lhe pertencem e aos quais ele pertence.
In Gilles Deleuze & Félix Guattari. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia.
Rio de Janeiro: Editora 34, 1996. Vol. I, p. 49
"Curva-te apenas para amar." René Char,
por aly . 5:10 PM .
Sábado, Abril 05, 2008
Arte de Hans Wurst: Da Disposição das Coisas no Mundo - salsichas sobre prato - 2008
COMPLEXO DE CASTRAÇÃO
D.: Kastrationskomplex - F.: complexe de castration – En.: castration complexe
Es.: complejo de castración – I.: complesso di castrazione
Complexo centrado no fantasma (fantasia) de castração, que vem trazer uma
resposta ao enigma posto à criança pela diferença anatômica dos sexos
(presença ou ausência de pênis): essa diferença é atribuída a um corte do pênis
da criança do sexo feminino.
A estrutura e os efeitos do complexo de castração são diferentes no menino e na
menina. O menino teme a castração como realização de uma ameaça paterna em
resposta às suas atividades sexuais, do que lhe advém uma intensa angústia de
castração. Na menina, a ausência do pênis é sentida como um dano sofrido que
ela procura negar, compensar ou reparar.
O complexo de castração está em estreita relação com o complexo de Édipo, e
mais especialmente com sua função interditória e normativa.
In J. Laplanche e J.-B. Pontalis. Vocabulário da Psicanálise.
São Paulo: Martins, s/d. 6ª edição.
"Na doutrina freudiana, o falo não é nem uma fantasia (no sentido de um efeito imaginário),
nem um objeto parcial (interno, bom, mau), nem tampouco o órgão real, pênis ou clitóris."
Jacques-Marie Émile Lacan,
por aly . 2:25 PM .
Segunda-feira, Março 31, 2008
Erwin Olaf: Paradise Portraits, 2001
Nenhuma melancolia é maior que uma melancia
Poema de Florivaldo Menezes, aqui
"Evidente que meu poeminha é homenagem a Cabral, para quem um abstrato (melancolia) era
menos importante que uma concreta melancia... e esta palavra está, visualmente, sem excesso,
toda contida dentro daquela. Daí o hipo-ícone verbivisual. Quanto ao hipo-ícone verbivisual,
é aquilo que Peirce chamava de vizinhança com o representado no significado, mas por
via de ilusão do continente, manipulado mais por quem olha do que pelo objeto olhado.
Quando dou, talvez cabotinamente, meu poema homenagem a João Cabral, de uma só linha
("Nenhuma melancolia é maior que uma melancia"), como exemplo desse tipo de
ícone, dou-o como exemplo de um hipo-ícone vizinho dos trocadilhos visuais, (meu
“Relações Anteriores" / cara do Magalhães Pinto no joelho de minha mulher, livro sem título
(“In Verso” no prefácio de Ronaldo Azeredo), Edições Invenção, 1972 e que hoje já pode
ser visto também em meu site www.asdfg-menezes.org, cf. ícone no frontispício do site) e
que já são conhecidos, com esse expresso nome, desde a época de certas gags de Harold
Lloyd, conforme se vê da coleção em vídeo-laser "Hollywood - a Celebration of the
American Silent Films", Thames Video Collection / Image Entertainment, LaserDisc, seven
disc set, side 8 / Harold Lloyd. Afora terem sido pespegados, na literatura, em certos poemas
de configuração caligrâmica até da poesia barroca e preciosa." Florivaldo Menezes,
por aly . 2:57 AM .
Quarta-feira, Março 26, 2008
Ilustração de Gèraldine Georges:::Dog's Love
A dor do enlouquecimento pulsional
"Esse enlouquecimento da bússola interior."
Marcel Proust
Assim como se acredita, erradamente, que a sensação
dolorosa causada por um ferimento no braço se localiza
no braço, também se acredita, erroneamente, que a dor
psíquica se deva à perda da pessoa do ser amado.
Como se fosse a sua ausência que doesse.
Ora, não é a ausência do outro que dói, são os efeitos em
mim dessa ausência. Não sofro com o desaparecimento
do outro. Sofro porque a força do meu desejo fica privada
de uma de suas fontes, que era o corpo do amado; porque
o ritmo simbólico dessa força fica quebrado com o
desaparecimento do compasso que os estímulos provenientes
daquele corpo escandiam; e depois porque o espelho psíquico
que refletia as minhas imagens desmoronou, por falta do apoio
vivo em que sua presença se transformara.
A lesão que provoca a dor psíquica não é pois
o desaparecimento físico do ser amado, mas
o transtorno interno gerado pela desarticulação
da fantasia do ser amado.
In J.- D. Nasio. A Dor de Amar
Rio de Janeiro: Zahar, 2007
(excerto do capítulo)
Não há remédio contra a dor de amar; a não ser os tradicionais:
escalda-pés; compressas; chá de hortelã ou de cidreira; mezinhas
ou garrafadas; álcool canforado ou de botequim,
por aly . 4:09 AM .
Quinta-feira, Março 20, 2008
Fotomix de Erwin Olaf: Paradise The Club, 2001
ODES I,11 (CARPE DIEM)
Indagar, não indagues, Leuconói
qual seja meu destino, qual o teu;
nem consultes os astros, como sói
o astrólogo caldeu:
não cabe ao homem desvendar arcanos!
Como é melhor sofrer quanto aconteça!
Ou te conceda Jove muitos anos,
ou, agora, os teus últimos enganos,
- prudente, o vinho côa e, mui depressa
a essa longa esperança circunscreve
a tua vida breve.
Só o presente é verdade, o mais promessa.
O tempo enquanto discutimos, foge:
colhe o teu dia, - não o percas! – hoje.
Horácio (65-8 a. C.)
In Horácio: Odes e Epodos. São Paulo: Martins Fontes, 2003
Tradução: Bento Prado de Almeida Ferraz (pai)
Organização: Anna Lia Amaral de Almeida Prado
Introdução: Antonio Medina Rodrigues
"Nada acrescente, pois, ao simples mirto,
zeloso servo! Ele a ambos nós convém:
a ti, servindo; a mim, sob a parreira,
calmo, bebendo."
Horácio: Odes I, 38,
por aly . 3:23 AM .
Sábado, Março 15, 2008
Clicaimago & ouça La Violetera e aqui La Paloma
A MÚSICA BARATA
Paloma, Violetera, Feuilles Mortes,
Saudades do Matão e de mais quem?
A música barata me visita
e me conduz
para um pobre nirvana à minha imagem.
Valsas e canções engavetadas
num armário que vibra de guardá-las,
no velho armário, cedro, pinho ou...?
(O marceneiro ao fazê-lo bem sabia
quanto essa madeira sofreria.)
Não quero Händel para meu amigo
nem ouço a matinada dos arcanjos.
Basta-me
o que veio da rua, sem mensagem,
e, como nos perdemos,
se perdeu.
Carlos Drummond de Andrade: 4 Poemas
in Reunião - 10 Livros de Poesia.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1969.
Yves Montand canta Les Feuilles Mortes,aqui & 35 anos depois,
por aly . 2:15 AM .
Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
Foto de Annie Leibovitz: Meryl Streep, 1981
psiquiatria
dizer assim: quem sou eu?
Por Miguel Duarte Soares, no seu blog Homem de Cuecas, aqui
"Ser natural é a mais difícil das poses." Oscar Wilde,
por aly . 5:46 PM .
Sábado, Fevereiro 23, 2008
Cartaz do filme Salomé: Theda Bara dirigida por. J. Gordon Edwards, 1918
Theda Bara em nove fotocenas de Cleópatra,
sob a direção de J. Gordon Edwards, 1917:
theda bara theda bara theda bara
theda bara theda bara theda bara
theda bara theda bara theda bara
Theda Bara iniciou sua carreira de vamp em 1914, aos 29
anos de idade. Dos 42 filmes em que participou até 1926,
somente cinco não foram 'dirigidos' por J. Gordon Edwards,
por aly . 9:18 PM .
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Hasta la victoria, comandante Fidel, siempre
Cuba: um país anticonsumista,
por aly . 10:45 AM .
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
Foto de León de Sircon: Sera porque te quiero? – 2007
BESTIÁRIO DE J.J. ARREOLA
Z de Zebra
Gulosas, as zebras devoram planícies de pasto africano,
com pleno conhecimento de que nem o corcel árabe, nem
o puro-sangue podem chegar a semelhante redondeza das
ancas, nem a igual finura de traços.
A zebra leva a sério sua vistosa aparência e, ao saber-se
raiada, entigrece. Presa em seu emaranhado lustroso, vive
no cativeiro galopante de uma liberdade mal entendida.
A zebra passeia sua singularidade desedenhando-se nela
mesma.
Juan José Arreola. Narrativa Completa.
México (DF): Alfaguara, 1997.
Tradução: Alberto Lyra
"Duas zebras brigam: se atiram contra e contra, empinadas -
e tudo, zás, zás, são relâmpagos." Zôo, in Guimarães Rosa:
Ave, Palavra,
por aly . 7:35 AM .
Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
W. BENJAMIN ASJA LACIS

Walter Benjamin: Rua de Mão Única, 1928 (1ª edição alemã). Foto & desenho de capa por Sasha Stone
Consignada em página ímpar, fronteira ao verso do
sumário da obra acima ilustrada - após a repetição
do título do livro –, a seguinte dedicatória do autor:
Esta rua chama-se
Rua Asja Lacis,
em homenagem àquela que,
na qualidade de engenheiro,
a rasgou dentro do autor.
Walter Benjamin. Rua de Mão Única.
São Paulo: Brasiliense, 1987.
"Asja Lacis lembra-se do seu primeiro encontro* com WB em suas
memórias. Ela havia entrado em uma loja para comprar amêndoas
e não sabia a palavra em italiano. Benjamin ajudou-a, traduzindo
para ela. Então foi encontrá-la na piazza e apresentando-se com
grande amabilidade burguesa, perguntou se podia ajudá-la a
carregar os pacotes. Ela se lembra de sua primeira impressão:
Óculos que irradiavam a luz como pequenos spotlights, cabelos grossos, escuros,
nariz fino, mãos desajeitadas – os pacotes caíram de suas mãos. Para encurtar, um
sólido intelectual, de origem acomodada. Ele me acompanhou a minha casa, e antes
de retirar-se pediu permissão para visitar-me.
Ele voltou imediatamente, no dia seguinte. Eu estava na cozinha (se é que aquele
cubículo podia ser chamado de cozinha) e cozinhava espaguete.
Enquanto comíamos o espaguete, ele disse: 'Tenho observado vocês há duas
semanas, em seus vestidos brancos, você e [ sua filha] Daga, que têm longas
pernas, não atravessam mas esvoaçam pela praça'.
"Aqui está o relato de Benjamin a Scholem:
Muito tem acontecido por aqui , não o melhor para o meu trabalho que ameaça
interromper-se, talvez tampouco seja o melhor para o ritmo burguês da vida, tão
indispensável para todo o o trabalho, mas absolutamente o melhor para a liberação
da vitalidade e um insight intensivo na atualidade de um Comunismo radical.
Conheci uma revolucionária russa de Riga."
*Nota d'aly: Capri, verão de 1924
No livro de Susan Buck-Morss:
Dialética do Olhar - Walter Benjamin e o Projeto das Passagens.
Belo Horizonte: UFMG/Chapecó: Argos, 2002. (excertos)
"Toda vez que experimentei um grande amor, passei por uma
transformação tão fundamental que assombrava a mim mesmo."
"Um amor genuíno me faz ficar parecido com a mulher que eu amo."
W. Benjamin in J. M. Coetzee, aqui,
por aly . 1:00 AM .
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
Sir Pertab Singh, Maharaja of Jodhpur and polo player: Índia,1897
Divirtam-se com esta sugestão de fantasia para o Carnaval de 2008:
salão, bloco ou escola de samba. Até às Cinzas,
por aly . 4:25 AM .
Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
De Jérémie de Rentier: Mademoiselle de Revenu
MULHER RENDEIRA
Letra e melodia de Zé do Norte
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Saudade levo comigo,
Soluço vai no emborná.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Se você tá me querendo,
Vamo pra Igreja, vamo casá.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
E depois de nóis casado,
Vou pra roça, vou prantá.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá.
"Consigo resistir a tudo, salvo às tentações". Oscar Wilde,
por aly . 12:56 PM .
Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
MASCHERINA de Giuseppe Maria Mitteli, 1692
Pentimento
Um rosto
sobre outro rosto:
máscara
aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)
Mascarar-se: uma escolha de eficácia,
por aly . 5:39 AM .
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Nick Walker:::Moona Lisa
Aos amigos & inimigos do letteri desejo Boas Festas à mesa farta;
divirtam-se, fodam, fodam-se ou sejam fodidos, cada um na sua -
como se apregoa por aí -, pois o mundo não mudará até o seu fim
final et sic transit gloria mundi,
por aly . 7:41 PM .
Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Postale de la Fontaine d'Adam et Eve en Riom, circa 1900
MACHO & FÊMEA
O leão a leonesa
O tigre a tigresa
O piano a pianesa
O martelo a martelesa
O turco a turquesa
O clavicórdio a clavicordesa
O serrote a serrotesa
O bordel a bordalesa
O avião a avionesa
O radar a radaresa
O bonde a bondesa
O veronês a veronesa
O pavês a pavesa
O touro a touresa.
O pavão a pavana
O paxá a pachorra
O rei-cláudio a rainha-cláudia
O macho a macha.
Murilo Mendes. Convergência, 1963-1966,
in Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1995
Vejam, escutem, aqui, Carlão Reichenbach, Jairo Ferreira
et amigos recitando poemas de Murilo Mendes,
por aly . 7:12 AM .
Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Graciliano Ramos na Livraria José Olympio: Rio de Janeiro,1942
Quando lançou seu primeiro livro em 1946, o crítico literário
Wilson Martins foi à Ouvidor 110 entregar um exemplar com
dedicatória a Graciliano, que imediatamente tirou um pente
do bolso e começou a abrir as páginas. Wilson exultou,
atribuindo a iniciativa ao vivo interesse que sua obra
despertara em um dos escritores que mais admirava.
Alguns minutos depois, Graciliano fez uma pausa,
levantou os olhos e pôs fim à alegria do autor.
- Há pouco tempo, passei por um grande constrangimento.
Um amigo meu, escritor, foi a minha casa, pegou um livro
seu na estante e verificou que estava fechado. Desde
esse dia abro todas as páginas de qualquer exemplar
que recebo – disse.
E continuou a abrir o livro, sem mais palavra.
No livro de Lucila Soares:
Rua do Ouvidor 110: Uma História da Livraria José Olympio.
Rio de Janeiro: José Olympio/Biblioteca Nacional, 2006.
De Graça & de Outros da Livraria J.O
Graciliano Ramos e Joel Silveira:
Joel conheceu a livraria por apresentação de Jorge Amado "onde chegou
cerimonioso, chamando os poucos escritores com quem se atrevia a falar
de 'seu fulano', 'o senhor'. Foi nesses termos que, algum tempo depois
de aparecer por lá quase todos os dias, dirigiu-se a Graciliano para, enfim,
lhe mostrar um conto de sua autoria."
"Graciliano leu, leu, leu, passou página, leu mais. Quando terminou rasgou
o texto em pedacinhos. Parecia confete. Não fez comentário algum sobre
o que havia lido. Quebrou o silêncio com um convite:
- Vamos tomar uma cachacinha?"
Sérgio Buarque de Holanda e Carlos Drummond de Andrade:
"Sérgio tinha uma namorada que trabalhava com Drummond,
no gabinete do Ministério da Educação. Um belo dia a moça
teve a infeliz idéia de lhe dizer que estava sendo assediada
pelo chefe.
"Se era verdade ou invencionice para provocar ciúmes, nunca
se ficou sabendo. O fato é que Sérgio acreditou e foi tomar
satisfações com Drummond. Os dois acabaram rolando pelo
chão, numa briga que teve de ser apartada."
José Lins do Rego:
"Zé Lins era brincalhão, adorava implicar com os amigos.
Mais de uma vez apoderou-se do uísque de algum deles,
sempre com o mesmo argumento:
- O álcool é inimigo do homem. Amigo meu não bebe.
Dá cá esse uísque."
"O traço de união entre eles (Graça e Zé Lins) era o gosto
pela bebida. Graciliano preferia a cachaça mesmo, enquanto
Zé Lins era mais eclético. Ia da cachaça ao uísque sem
nenhum problema, e gostava muito de cerveja."
In Lucila Soares, no livro supracitado,
por aly . 4:18 AM .
|