Quinta-feira, Novembro 26, 2009
التوضيح اقلعت من صديقاتي
ARAMAICO
Amar é arte:
Equilibrar-se
No arame arcaico.
aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)
"Amor é reino não quer parceiro".
Ou: "Amor é vento vai um, vem cento".
Ditados populares,
por aly . 2:54 AM .
Sábado, Novembro 21, 2009
Cartaz de Andreas Spielvogel: O Pintor Adolf Hitler ► Viena (Vanishing point), 2007
Da série — A Ilustração por Ilustradores (2)
"Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um determinado efeito".
Joseph Goebbels,
por aly . 5:09 AM .
Domingo, Novembro 15, 2009
Valentina por Guido Crepax
1. V. NOTAS DEL SUBTERRANEO 12
2. Y tentaba la demostración de que el caballero sin tacha
es el de la mancha, siempre mal tratando de mantener a
raya a las palabrabavuconas. Y a fin de cuentos, su brazo
diestro ya enlazándote, trataba de convencerte papel en
mano libre de que todo era literatura (tú lo decias mejor a
la francesa) o todo non era literatura. Y ahora sí a la acción
a la palabra blandiendo uno de sus papelotos garabateados
y meccanografiados. Fíjate, decia señalando con el índice de
la mano en tu cintura, segundos antes de que cayeseis en la
cama sempisterneamente deshecha - su verdadera litera
literaria o prusteico lecho de procusto, no? Fíjate, te habia
dicho al oído o lo estaba diciendo cuando caíais:
cada línea tachada es una perfecta y censurable story line
Tableteo toblatao en la noche. Tata-Tat-Tat-Tat-T' a la T' a-Tap!
Tape-Tap-Taps-Tat! La mithraillette Mayakovskienne? Catabola.
Cataybola, marcopulador. Ma Chine à écrire, où je machine/Your
Taipeh-writer? Ai! Shih! Shu! Shilienzo! I' m now very bussy with
my T'ai-p'ing!
Julián Ríos in Larva: Babel de una Noche de San Juan. Madrid: Mondadori, 1992 ズ
"Fe de erratas: Donde dice orgasme à bord, debe decir smorgasbord". J. Ríos, extratexto,
por aly . 3:42 AM .
Domingo, Novembro 08, 2009
Desenho de Jacqueline Besoine: Eu Preciso Ficar Sozinha! ♥ 2009
AFONSO EANES DE COTOM (Século XIII)
Abadessa, oí dizer
Abadessa, oí dizer
que érades mui sabedor
de todo bem, e, por amor
de Deus, querede vos doer
de min, que ogano casei,
que ben vos juro que non sei
mais que um asno de foder.
Ca me fazen en sabedor
de vós que avedes bom sen
de foder e de todo ben;
ensinade-me mais, senhor,
como foda, ca o non sei,
nen padre nen madre non ei
que m' ensin', e fiqu'i pastor.
E se eu ensinado vou
de vós, senhor, deste mester
de foder e foder souber
per vós, que me Deus aparou,
cada que per foder, direi
Pater Noster, e enmentarei
a alma de quen m'ensinou.
E per i podedes gaar,
mia senhor, o reino de Deus:
per ensinar os pobres seus
mais ca por outro jajuar,
e per ensinar a molher
coitada, que a vós veer,
senhor, que non souber ambrar.
v. 5: ogano: este ano; v. 14: fiqu'i pastor: fiquei como
um jovem, sem experiência; v. 18: aparou: proporcionou;
v.20 enmentarei: farei referência, encomendarei; v. 25 jajuar:
jejuar; v. 28: ambrar: fornicar.
Comentário de Lênia Márcia Mongelli (excerto)
A cantiga apresenta a burla contra a abadessa, feita de forma
explícita pelo verbo foder, numa mistura jocosa entre o sagrado
e o profano. A estrofe I dá bem a mostra de como se constrói o
processo de inversão dos valores: os vv. de 1a 6 são modelares
na petição de auxílio para um recém-casado, melodramático e
enfático (por amor de Deus) em seus argumentos de inocência;
o v. 7 destrói abruptamente a impressão, ao revelar a verdadeira
intenção de súplica. Note-se que o maldizer não se restringe
apenas à esfera da foda: a comparação do "eu" discursivo com
um asno faz despencar a linguagem elevada.
Cantigas de escárnio e maldizer in Lênia Márcia Mongelli.
Fremosos Cantares: Antologia da Lírica Medieval Galego-Portuguesa.
São Paulo: Martins Fontes, 2009 ズ
"Para o mau fodedor, até o saco atrapalha". Dito popular,
por aly . 6:40 AM .
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
La Luna: manuscriptum do sec. XV ► Universitätsbibliothek Salzburg — M III 36 - 239r
O CAÇADOR
O caçador foi à caça,
À caça, como soía;
Os cães já leva cansados,
O falcão perdido havia.
Andando se lhe fez noite
Por uma mata sombria,
Arrimou-se a uma azinheira,
A mais alta que ali via.
Foi a levantar os olhos,
Viu coisa de maravilha:
No mais alto da ramada
Uma donzela tão linda!
Dos cabelos da cabeça
A mesma árvore vestia,
Da luz dos olhos tão viva
Todo o bosque se alumia.
Ali falou a donzela,
Já vereis o que dizia:
— "Não te assustes cavaleiro,
Não tenhas tamanha frima.
Sou filha de um rei c'roado,
De uma bendita rainha.
Sete fadas me fadaram,
nos braços de mi' madrinha,
Que estivesse aqui sete anos,
Sete anos e mais um dia;
Hoje se acabam nos anos,
Amanhã se conta o dia.
Leva-me, por Deus to peço,
Leva em tua companhia."
— "Espera-me aqui, donzela,
Té amanhã, que é o dia;
Que eu vou tomar conselho,
Conselho com minha tia."
Responde agora a donzela,
Que bem que lhe respondia!
— "Oh, mal haja o cavalheiro,
Que não teve cortesia:
Deixa a menina no souto
Sem lhe fazer companhia!"
Ela ficou no seu ramo,
Ele foi-se a ter com a tia...
Já voltava o cavaleiro
Apenas que rompe o dia;
Corre por toda essa mata,
A enzinha não descobria.
Vai correndo e vai chamando,
Donzela não respondia;
Deitou os olhos ao longe,
Viu tanta cavalaria,
De senhores e fidalgos
Muito grande tropelia.
Levavam na linda infanta,
Que era já contado o dia.
O triste do cavaleiro
Por morto no chão caía;
Mas já tornava os sentidos
E a mão à espada metia:
— "Oh, quem perdeu o que eu perco
Grande penar merecia!
Justiça faço em mim mesmo
E aqui me acabo co'a vida."
"O romance do Caçador pertence à poesia popular portuguesa,
é de imemorial antiguidade; e como a tal lhe dou aqui lugar entre
as relíquias mais originais de nossa primitiva literatura".
Almeida Garrett
In Romanceiro de Almeida Garrett. Selecção, organização, introdução
e notas por Maria Ema Tarracha Ferreira. Lisboa: Ulisseia, 1996 ズ
"Dedico esse trabalho à memória de
Rita Augusta Machado Tarracha, a Avó
que me cantava romances e me ensinou
a ler." Maria Ema Tarracha Ferreira,
por aly . 3:01 PM .
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