Sexta-feira, Agosto 28, 2009
Walter Benjamin na Bibliothèque Nationale de France, Paris — foto por Gisèle Freund, 1939
Entrecruzamento de museu e intérieur
M. Chabrillat (diretor do Théâtre de l'Ambigu em 1882) herda certo dia
um museu completo de figuras de cera "instalado na Passage de l'Opéra,
acima do relógio", (talvez o antigo Museu Hartkoff). Chabrillat tem por
amigo um desenhista talentoso, boêmio, sem domicílio à época. Este teve
uma idéia.
No museu havia, entre outras peças, um grupo que representava a visita da
Imperatriz Eugênia aos doentes de cólera em Amiens. À direita, a Imperatriz
que sorri para os doentes, à esquerda, uma enfermeira de touca branca e, numa
cama de ferro, pálido e esquálido, sob lençóis macios e imaculados, um agonizante.
O museu fecha à meia-noite. O desenhista sugere: nada mais fácil do que retirar
cuidadosamente o doente de cólera, colocá-lo no chão e tomar seu lugar na cama.
Chabrillat dá seu consentimento. Ele não tinha grande interesse por figuras de cera.
E assim, por seis semanas, o artista que fora expulso do hotel passa as noites na
cama do doente, acordando todas as manhãs sob o doce olhar da enfermeira e os
olhos sorridentes da Imperatriz, que se inclina sobre ele com as longas mechas de
seu cabelo loiro. (Em Jules Claretie. La Vie à Paris, 1883, Paris: p. 301 et séq).
Walter Benjamin: Morada de sonho, Museu, Pavilhão Termal in Passagens.
Belo Horizonte / São Paulo: Editora UFMG / Imprensa Oficial do Estado de
São Paulo, 2007 (1ª reimpressão). Wille Bolle (organizador): nesta edição
integral de Das Passagen-Werk no Brasil — da edição alemã por Rolf
Tiedemann —, 1167 páginas ズ
"Jacaré parado vira bolsa". Dito popular,
por aly . 12:13 AM .
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