Sexta-feira, Abril 24, 2009


Robert Dennis Crumb: Autorretrato*, 1994


Nasceram nesta data: o Bandido da Luz Vermelha, Jack the Ripper,
Landru, a Fera da Penha, Scarface, Ian Brady e aly, entre outros —
o que revela a boa conjunção astral do outonal dia 24 de Abril.

*(Assim grafada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
Academia Brasileira de Letras - 5ª ed. - São Paulo: Global, 2009)
"Que língua, a nossa!" — J. P. Oliveira Neto de Castro Mello Filho


"Nada é mais vago do que as impressões relativas à identidade
de um indivíduo". Edgar Allan Poe in O Mistério de Marie Rogêt,

por aly . 12:04 AM .

Terça-feira, Abril 14, 2009


Foto de Helmut Newton: Sigourney Weaver, 1983


RESSENTIMENTO

O ressentimento é um afeto de forte apelo dramático. Funciona
bastante bem como elemento polarizador da ação, no cinema ou
no teatro, e também para promover a identificação do espectador
com alguns personagens vistos como vitimados pelas circunstâncias
ou, principalmente, pelos outros.

O personagem ressentido – pensem em Tio Vânia de Tchekov, por
exemplo – costuma angariar simpatias; suas queixas são repetitivas
e fundamentadas, e se ele se coloca como "perdedor", ou como alguém
que ficou para trás na dinâmica das relações sociais, isto se dá em
razão de sua pureza moral, em sua inabilidade para jogar o jogo das
conveniências e das aparências.

O ressentido é, por um lado, um que vê a si mesmo como moralmente
melhor do que os outros – por outro lado, e por isto mesmo, é um
vingativo justificado, coberto de razões.

Maria Rita Kehl: Desejo e Liberdade – A Estética do Ressentimento.
In Giovanna Bartucci (org.). Psicanálise, Cinema e Estéticas de
Subjetivação.
Rio de Janeiro: Imago, 2000. (excerto capitular)


"A vida é uma farsa encenada por todos". Jean-Nicolas Arthur Rimbaud,

por aly . 4:00 PM .

Terça-feira, Abril 07, 2009


Foto de Andy Julia: Paris, 2007


O PONTO DE DEMÊNCIA

As pessoas só têm charme em sua loucura, eis o que é difícil de ser
entendido. O verdadeiro charme das pessoas é aquele em que elas
perdem as estribeiras, é quando elas não sabem muito bem em que
ponto estão. Não que elas desmoronem, pois são pessoas que não
desmoronam. Mas, se não captar aquela pequena raiz, o pequeno
grão de loucura da pessoa, não se pode amá-la. Não pode amá-la.
É aquele lado em que a pessoa está completamente...

Aliás, todos nós somos um pouco dementes. Se não se captar
o ponto de demência de alguém... Ele pode assustar, mas,
quanto a mim, fico feliz de constatar que o ponto de demência
de alguém é a fonte de seu charme.

O Abecedário de Gilles Deleuze in Entrevista com Claire Parnet, aqui.


"Nenhum artista suporta o real". Friedrich Wilhelm Nietzsche,

por aly . 9:43 AM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





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14 novembro 2002



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