Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
FOTO DE PENÉLOPE CRUZ EM 2005
Esta é a mão
que por vezes tocava
em teus cabelos.*
*Jorge Luis Borges: Dezessete Haikus in Poesia.
São Paulo: Cia das Letras, 2009.
Tradução: Josely Vianna Baptista
"Fotografia: a mais delicada de todas as atividades predatórias." Susan Sontag,
por aly . 12:28 AM .
Sábado, Fevereiro 21, 2009
Cartaz espanhol do filme Dead Ringer: no Brasil, Alguém Morreu em Meu Lugar, 1964
O poeta propõe seu epitáfio
Por ter mentido muito ganhou um céu
mesquinho, a ser refeito todos os dias.
Por ser traidor até com a traição, era amado
pelas pessoas honradas.
Exigia virtudes que não dava
e sorria para esquecerem.
Não viveu. Viviam-no, um corpo impiedoso
e uma cadela sedenta, inteligência.
Por só acreditar na beleza, foi
lixo entre os lixos,
mas ainda olhava para o céu.
Está morto, felizmente. Já deve haver
algum outro como ele.
Julio Cortázar in Último Round, Tomo II.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
"A morte rouba toda a seriedade à vida." Paul Valéry,
por aly . 1:47 PM .
Domingo, Fevereiro 15, 2009
Pablo Picasso: Peintre avec un Modèle qui Boude. Etching & drypoint on Rives, edition 50, 1968 -
Christie's Collection
Da série O Artista & seu Modelo, nº 5,
por aly . 8:48 PM .
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
HOLLYWOODIANAS II
Harry Cohn, chefão da Columbia Pictures, em foto de Allan Grant para a revista LIFE, 1955
Harry Cohn, dirigente da Columbia, odiava seu irmão Jack, presidente da
companhia, e Jack retribuía o sentimento da forma que só um irmão é capaz.
Uma vez, Jack chegou a tentar se livrar de Harry fazendo uma visita secreta
a A. P. Giannini do Bank of América, que financiava Cohn, para lhe dizer que
Harry era perdulário e irresponsável. Giannini sorriu, compreensivo, depois
telefonou para Harry e disse: "Acho que devo lhe contar quem acabou de
me visitar".
Harry não foi, portanto, muito receptivo quando Jack lhe sugeriu que a
Columbia tentasse fazer um filme bíblico.
"Não meta o nariz na minha parte dos negócios", disse Harry.
"Só pensei que podíamos fazer um filme bíblico, só isso", disse Jack.
"Tem um monte de histórias boas na Bíblia".
"Que diabos entende você da Bíblia?", desafiou Harry.
"Aposto que você não sabe nem o Pai Nosso*.
"Claro que sei", disse Jack.
"Sabe o cacete!", disse Harry. "Aposto cinquenta paus que você não
reza o Pai Nosso. Vamos lá – aposte o dinheiro ou cale a boca".
Apostaram cinquenta dólares.
"Tudo bem, reze", desafiou Harry.
"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...", **
começou Jack, com alguma hesitação.
"Chega", disse Harry, entregando os cinquenta dólares com relutância.
"Achei que você não soubesse".
* No Original, Lord´s Prayer. (N. T.)
** Oração infantil americana. (N. T.)
In Otto Friedrich: A Cidade das Redes - Hollywood nos Anos 40.
São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
De Dorothy Parker elogiando um livro sobre Hollywood:
"Nunca pensei que alguém fosse capaz de botar Hollywood;
a verdadeira merda dela; entre duas capas.",
por aly . 12:02 AM .
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Foto de Philippe-Piteck de Mann
O PORNOGRAMA
O que Sade produz são pornogramas. O pornograma não é apenas
a marca escrita de uma prática erótica, nem mesmo o produto de um
decalque dessa prática, tratada como uma gramática de lugares e de
operações; é por uma nova química do texto, a fusão (como que sob
o efeito de uma temperatura ardente) do discurso e do corpo: ("Aqui
estou completamente nua - diz Eugénie às suas professoras - dissertai
sobre mim o tempo que quiserdes"), de modo que, atingindo esse
ponto, a escrita seja aquilo que regula a troca do Logos pelo Eros,
e que seja possível falar da erótica como gramático e da linguagem
como pornógrafo.
Roland Barthes in Sade, Fourier, Loiola. Lisboa: Edições 70, 1979.
"Os requintes vêm apenas da delicadeza; portanto é possível
ter muitos, embora sejamos movidos por coisas que parecem
excluí-la". Marquês de Sade,
por aly . 12:30 AM .
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