Segunda-feira, Abril 28, 2008


Foto de Albert de Culot


Nota d'aly:
O meu hospedeiro de imagens XPG Extreme WebHosting,
http://www.xpg.com.br/home/, suspendeu minhas imagos;
à exceção de três (tereis?) - que postei por outro provedor;
sem aviso prévio & mais nada. Estou providenciando outro
hosting, como eles dizem e nos deixam como o cidadão
acima.


Pospost: Sábado, 10 de maio de 2008




Plus ça change, plus c'est la même chose,

por aly . 1:49 AM .

Quinta-feira, Abril 24, 2008


De Rosa Maria: A Arte de Comer Bem. RJ: Officina Industrial Graphica (1ª ed. - 1933)


Receita (malograda) de lombinho de porco à mineira,
escrita a pedido, para um livro de culinária que não
foi publicado:

Olhe, Maluh de Ouro Preto:
mineiro sou, mas fraquinho.
Se não botava em soneto
a receita de lombinho.

De porco, bem caprichado,
que em Minas ninguém recusa
quando se apresente, assado,
à mesa, e conforta a musa.

Pimenta-do-reino, é claro,
e sal poria em meu verso,
alho (para um sabor raro)
e limão (outro diverso).

Quando saísse do forno
a carne - alvura macia -
dar-lhe-ia como adorno
áurea farofa... Sorria,

Maluh, pois que, em verdade,
devo confessar, baixinho,
com toda a sinceridade:
não sou de comer lombinho.

Carlos Drummond de Andrade


Nota d'aly:
Este poema-receita de Drummond, com prologuinho do autor,
não consta da edição da Nova Aguilar, Poesia Completa de CDA,
2002. Está num recorte* de jornal colado à página de rosto do
livro de receitas de Rosa Maria, A Arte de Comer Bem (obrigado,
Rosa Maria), que foi uma das fontes dos poderes culinários &
alquímicos de dona Anita, matriarca dos alys.

*Do recorte: Correio da Manhã (RJ), 30 de Março de 1968.


"O destino das nações depende do modo como elas se alimentam." Brillat-Savarin,

por aly . 5:56 AM .

Quinta-feira, Abril 17, 2008


Bedroom Windows by Arthur Adlon: Softcover Library, 1965 (pulp fiction*)


É possível estabelecer relação entre a prática
psicanalítica e o trabalho do detetive?


Os dois possuem como ponto de partida a recusa
do dado, aquilo que se apresenta como verdadeiro
porque tido como evidência sensível, como certeza.
Mas o dado sensível é uma ilusão. Todo dado já é
um constructo. Daí, toda certeza sensível ser
ilusória.

O psicanalista e o detetive, e eu também
incluiria aqui a figura do filósofo, empreendem a
busca de uma verdade que está para além do dado
imediato. São práticas da suspeita. Mas, enquanto
os conceitos científicos são feitos de idéias claras
e distintas, os signos psicanalíticos são compostos
de obscuridade, ocultamento, tropeços, falhas,
esquecimentos. A ciência trabalha na plena luz das
suas idéias; a psicanálise, nas sombras e
obscuridades do desejo.

Luiz Alfredo Garcia-Roza em entrevista ao Estadão:
Caderno Aliás, Domingo, 13 de abril de 2008

*Nota d'aly:
O melhor da pulp fiction está consagrado em suas capas:
aqui e aqui.



"Nada é tão traiçoeiro como o óbvio." Joseph Schumpeter,

por aly . 12:59 AM .

Sexta-feira, Abril 11, 2008


L'Amour et Psyché por Baron François-Pascal-Simon Gérard, 1798: Musée du Louvre


O que quer dizer amar alguém? É sempre apreendê-lo numa massa,
extraí-lo de um grupo, mesmo restrito, do qual ele participa, mesmo que
por sua família ou por outra coisa; e depois buscar suas próprias matilhas,
as multiplicidades que ele encerra e que são talvez de uma natureza
completamente diversa. Ligá-las às minhas, fazê-las penetrar nas minhas
e penetrar as suas. Núpcias celestes, multiplicidades de multiplicidades.

Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre
um corpo sem orgãos a ser formado; e é no ponto mais elevado desta
despersonalização que alguém pode ser nomeado, recebe seu nome ou
seu prenome, adquire a discernibilidade mais intensa na apreensão ins-
tantânea dos múltiplos que lhe pertencem e aos quais ele pertence.

In Gilles Deleuze & Félix Guattari. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia.
Rio de Janeiro: Editora 34, 1996. Vol. I, p. 49


"Curva-te apenas para amar." René Char,

por aly . 5:10 PM .

Sábado, Abril 05, 2008


Arte de Hans Wurst: Da Disposição das Coisas no Mundo - salsichas sobre prato - 2008


COMPLEXO DE CASTRAÇÃO

D.: Kastrationskomplex - F.: complexe de castration – En.: castration complexe
Es.: complejo de castración – I.: complesso di castrazione

Complexo centrado no fantasma (fantasia) de castração, que vem trazer uma
resposta ao enigma posto à criança pela diferença anatômica dos sexos
(presença ou ausência de pênis): essa diferença é atribuída a um corte do pênis
da criança do sexo feminino.

A estrutura e os efeitos do complexo de castração são diferentes no menino e na
menina. O menino teme a castração como realização de uma ameaça paterna em
resposta às suas atividades sexuais, do que lhe advém uma intensa angústia de
castração. Na menina, a ausência do pênis é sentida como um dano sofrido que
ela procura negar, compensar ou reparar.

O complexo de castração está em estreita relação com o complexo de Édipo, e
mais especialmente com sua função interditória e normativa.

In J. Laplanche e J.-B. Pontalis. Vocabulário da Psicanálise.
São Paulo: Martins, s/d. 6ª edição.


"Na doutrina freudiana, o falo não é nem uma fantasia (no sentido de um efeito imaginário),
nem um objeto parcial (interno, bom, mau), nem tampouco o órgão real, pênis ou clitóris."
Jacques-Marie Émile Lacan,

por aly . 2:25 PM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



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