Segunda-feira, Março 31, 2008


Erwin Olaf: Paradise Portraits, 2001


Nenhuma melancolia é maior que uma melancia

Poema de Florivaldo Menezes, aqui


"Evidente que meu poeminha é homenagem a Cabral, para quem um abstrato (melancolia) era
menos importante que uma concreta melancia... e esta palavra está, visualmente, sem excesso,
toda contida dentro daquela. Daí o hipo-ícone verbivisual. Quanto ao hipo-ícone verbivisual,
é aquilo que Peirce chamava de vizinhança com o representado no significado, mas por
via de ilusão do continente, manipulado mais por quem olha do que pelo objeto olhado.
Quando dou, talvez cabotinamente, meu poema homenagem a João Cabral, de uma só linha
("Nenhuma melancolia é maior que uma melancia"), como exemplo desse tipo de
ícone, dou-o como exemplo de um hipo-ícone vizinho dos trocadilhos visuais, (meu
“Relações Anteriores" / cara do Magalhães Pinto no joelho de minha mulher, livro sem título
(“In Verso” no prefácio de Ronaldo Azeredo), Edições Invenção, 1972 e que hoje já pode
ser visto também em meu site www.asdfg-menezes.org, cf. ícone no frontispício do site) e
que já são conhecidos, com esse expresso nome, desde a época de certas gags de Harold
Lloyd, conforme se vê da coleção em vídeo-laser "Hollywood - a Celebration of the
American Silent Films", Thames Video Collection / Image Entertainment, LaserDisc, seven
disc set, side 8 / Harold Lloyd. Afora terem sido pespegados, na literatura, em certos poemas
de configuração caligrâmica até da poesia barroca e preciosa." Florivaldo Menezes,

por aly . 2:57 AM .

Quarta-feira, Março 26, 2008


Ilustração de Gèraldine Georges:::Dog's Love


A dor do enlouquecimento pulsional

"Esse enlouquecimento da bússola interior."
Marcel Proust


Assim como se acredita, erradamente, que a sensação
dolorosa causada por um ferimento no braço se localiza
no braço, também se acredita, erroneamente, que a dor
psíquica se deva à perda da pessoa do ser amado.
Como se fosse a sua ausência que doesse.

Ora, não é a ausência do outro que dói, são os efeitos em
mim dessa ausência. Não sofro com o desaparecimento
do outro. Sofro porque a força do meu desejo fica privada
de uma de suas fontes, que era o corpo do amado; porque
o ritmo simbólico dessa força fica quebrado com o
desaparecimento do compasso que os estímulos provenientes
daquele corpo escandiam; e depois porque o espelho psíquico
que refletia as minhas imagens desmoronou, por falta do apoio
vivo em que sua presença se transformara.

A lesão que provoca a dor psíquica não é pois
o desaparecimento físico do ser amado, mas
o transtorno interno gerado pela desarticulação
da fantasia do ser amado.

In J.- D. Nasio. A Dor de Amar
Rio de Janeiro: Zahar, 2007
(excerto do capítulo)


Não há remédio contra a dor de amar; a não ser os tradicionais:
escalda-pés; compressas; chá de hortelã ou de cidreira; mezinhas
ou garrafadas; álcool canforado ou de botequim,

por aly . 4:09 AM .

Quinta-feira, Março 20, 2008


Fotomix de Erwin Olaf: Paradise The Club, 2001


ODES I,11 (CARPE DIEM)

Indagar, não indagues, Leuconói
qual seja meu destino, qual o teu;
nem consultes os astros, como sói
o astrólogo caldeu:

não cabe ao homem desvendar arcanos!
Como é melhor sofrer quanto aconteça!
Ou te conceda Jove muitos anos,
ou, agora, os teus últimos enganos,
- prudente, o vinho côa e, mui depressa
a essa longa esperança circunscreve
a tua vida breve.

Só o presente é verdade, o mais promessa.
O tempo enquanto discutimos, foge:
colhe o teu dia, - não o percas! – hoje.

Horácio (65-8 a. C.)


In Horácio: Odes e Epodos. São Paulo: Martins Fontes, 2003
Tradução: Bento Prado de Almeida Ferraz (pai)
Organização: Anna Lia Amaral de Almeida Prado
Introdução: Antonio Medina Rodrigues


"Nada acrescente, pois, ao simples mirto,
zeloso servo! Ele a ambos nós convém:
a ti, servindo; a mim, sob a parreira,
calmo, bebendo."
Horácio: Odes I, 38,

por aly . 3:23 AM .

Sábado, Março 15, 2008


Clicaimago & ouça La Violetera e aqui La Paloma


A MÚSICA BARATA


Paloma, Violetera, Feuilles Mortes,
Saudades do Matão e de mais quem?
A música barata me visita
e me conduz
para um pobre nirvana à minha imagem.

Valsas e canções engavetadas
num armário que vibra de guardá-las,
no velho armário, cedro, pinho ou...?
(O marceneiro ao fazê-lo bem sabia
quanto essa madeira sofreria.)

Não quero Händel para meu amigo
nem ouço a matinada dos arcanjos.
Basta-me
o que veio da rua, sem mensagem,
e, como nos perdemos,
se perdeu.


Carlos Drummond de Andrade: 4 Poemas
in Reunião - 10 Livros de Poesia.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1969.


Yves Montand canta Les Feuilles Mortes,aqui & 35 anos depois,

por aly . 2:15 AM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



falar comigo



Blogues

afrodite
almanaque
ante mare, undae
apenas bahia
aqui tem coisa
almocreve das petas
atire no dramaturgo
blog do emir
blog do mello
blog do mino
bloWg
blue molleskin
bombyx mori
b-site
bula bula
cabotagem
café com leite
calendario do pensamento
catarro verde
reduto do comodoro
comunisfera
comunix
conta natura
contrapauta
da literatura
diário gauche
do arco da velha
dudi
ecletismo musical
ellosnoexisten
el pitangovsky
engenho e arte
fazendo caminho
ferréz
fotógrafos brasileiros
fotocafé
fotogarrafa
frenesi::livros
ga-rule
grafolalia
grupo beatrice
guilhermina suggia
hotel céline
hot memories
images & visions
inmanencia
insônia
la petite claudine
legendas & etc
luís nassif blog
ma-schamba
memória inventada
miniscente
na periferia do império
nas retinas
naxos
nei lopes
observador
os sem-mídia contra a mídia golpista
os trabalhos &t os dias
pimenta negra
porto::lisboa
pedro doria
Poesia & Lda.
prosa caótica
retina
retorta
riobaldo & diadorim
rua da judiaria
sapoti da japaranduba
sem estrada
sem pénis, nem inveja
seqüências parisienses
sheila leirner
silêncio
sorry periferia
sob(re) a pálpebra
tempo imaginario
teresa-torga
todoprosa
vigna-marú
vi o mundo
xico sá
wild is the wind
williebaronet
wumanity



Links

adital
antroposmoderno
artemeditada
asdfg, menezes
beijo da rua
bossa nova
blogmarks
blue bus
brasilian music
caros amigos
carta capital
carta maior
cinefagia
contracampo
contratiempo
conversa afiada
cosac & naif
ejército zapatista de liberación nacional
fausto wolff
gafieiras
jangada brasil
jornais latino-americanos(todos)
júlio medaglia
kinja bsiteblog's mix
la fogata
la gauche
la haine
la insignia
la jornada
minguante
musica brasiliensis
no mínimo
novae
página/12
piel de leopardo
plínio marcos
PUCMinas
rebelión
resistir
revista fórum
revuelta
rue89
samba & choro
tavinho paes
ubu web
ver O poema
voltaire net
zezão



Arquivos




Letteri Café
at
The Ten Best Art
And Culture Websites
In The World by
Spank The Monkey





template:
Rossana Fischer




Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com