Sábado, Abril 29, 2006




Lenínia

Você é retórica, é.
O que fazer?
Quero que você ame
não só as palavras:
entende?

Estenda a sua tenda
para mim?

aly. Opera Mínima: Fonografias (no preprelo)

Uma condensação da reportagem sobre o Bar Riviera no Estadão:
aqui. Com alguns trequis-traques

por aly . 8:55 AM .

Quinta-feira, Abril 27, 2006


Bettina Rheims: Paris, aus der Reihe Chambre Close, 1991


ÁGUA-FORTE

O preto no branco,
O pente na pele:
Pássaro espalmado
No céu quase branco.

Em meio do pente,
A concha bivalve
Num mar de escarlata.
Concha, rosa ou tâmara?

No escuro recesso,
As fontes da vida
A sangrar inúteis
Por duas feridas.

Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.

Manuel Bandeira: Lira dos Cinqüent'anos,
in Estrela da Vida Inteira.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979

"Seria todo retrato uma outra sombra, em falsas claridades?" GRosa,

por aly . 11:57 PM .

Terça-feira, Abril 25, 2006




TINTA/PAPEL:


LA MATERIA escrita del instante en el amor
NO SE CRIA en mis palabras
NI SE PIERDE en tu silencio
SOLO SE TRANSFORMA en hormas de amor


Hector Olea. Erotismos. Revista Espiral nº 6.
Fundamentos: Caracas/Madrid, 1979.

Hector, espero você e Mari, Maio em SP, para o lançamento
do seu livro Professor Riobaldo. Abrazo,

por aly . 2:52 AM .

Sexta-feira, Abril 21, 2006

ZOKOSKY_Ape_ModelPeter Zokosky: Ape & Model, óleo s/ tela

Da série O Artista & Seu Modelo, nº 4,

por aly . 7:11 PM .

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Esta Semana Santa foi um

no saco. Como é que seria uma
Semana Depravada?


aly. Imagogramas Para Serem Vistos em Vênus:
Contos Sacais
. (no preprelo)

por aly . 3:16 AM .

Terça-feira, Abril 11, 2006




23.

No mar há peixes e em
cada barriga de cada peixe,
se procurares bem, vai
o outro mar que os peixes engoliram.

Nunca o peixe foi tão grande
que o não pudéssemos comer.

(aly, porque há tanto mar)


Bli, numa coleção de poemas
em homenagem aos amigos:
aqui



Bli, poeta portuguesa na linha
de força das grandes Natália e
Natércia: lusas.

Não é poeta para almas delicadas,
nem apronta ciladas do coração:
é timoneira do corpo e tem dentro
do peito a própria mão.


Um beijo transossiânico, Bli, querida amiga,

por aly . 3:54 PM .

Sexta-feira, Abril 07, 2006


Dos tetrápodas anamniotas, Bufo Calamita:


O SAPO

Nasceu de uma pedra. Vive debaixo. E sob ela cavará sua tumba.

Eu o visito com freqüência. E cada vez que visito sua pedra tenho
medo de encontrá-lo e medo de que já não esteja.

Está.

Ali, escondido em sua jazida. Seca, limpa, estreita e a seu gosto.
Ocupa-a plenamente, inchado como uma carteira de avarento.

Se a chuva o enxota, ele vem e se põe diante de mim. Uns
quantos saltos medidos. Logo se detém sobre suas coxas e me
olha com olhos avermelhados. Se o mundo injusto o trata como
a um leproso, eu não temo em ficar de cócoras diante dele, e,
aproximo ao seu, um rosto de homem.

"Para acariciar-te, sapo, só me falta vencer o último escrúpulo
de asco!"

Coisas piores engolimos na vida.
Porém ontem faltou-me tato. Suas verrugas estouraram e o sapo
fermentava e suava. Disse a ele:

- Pobre amigo, não quero ofender-te. Certamente, valha-me Deus!
És feio...

Abriu com cálido alento a boca pueril e desdentada, e me respondeu
com um ligeiro sotaque inglês:

- E tu?

Juan José Arreola, Aproximaciones: Jules Renard.
In J.J. Arreola. Bestiario. México(DF): Joaquin Mortiz, 1976.

Tradução: Alberto Lyra

"No sabemos lo que nos pasa, e es esto lo que pasa." Ortega y Gasset,

por aly . 9:48 AM .

Sábado, Abril 01, 2006


Fadista (autoria de imagem não identificada)


Fado tropical

De Chico Buarque & Ruy Guerra,
na voz de Chico Buarque e récita de Ruy Guerra


Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Canção de 1973, período Médici,

por aly . 3:17 AM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



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