Segunda-feira, Janeiro 31, 2005


Kim Novak

Modelo & Bilheteria

Quando Rita Hayworth deixou a Califórnia, em 1952, ou 3, o estúdio ficou sem sua
prima-dona, sem sua Gilda, Harry Cohn, o big-boss, massageou a careca e decidiu
que precisava fazer uma nova estrela. E assim despontou Kim Novak. Despontou
porque já surgiu estrela, de quantas pontas não sei. Dez, vinte talvez, ou setenta.
Ela foi inventada para tapar buraco. Quando chegou a Hollywood (era modelo
nobremente desconhecido), sem nunca ter ouvido sequer falar na arte de representar,
e a colocaram diante das câmeras para teste, um produtor exasperou-se:

- Ela é incapaz de recitar até mesmo o Hino Nacional!
Dizem que Cohn interferiu:
- Para quê? Basta olhá-la.

E tinha razão. O público do mundo inteiro passou a olhá-la. Depois de seis filmes,
era a bilheteria n.º 1 dos Estados Unidos, a nova deusa.

Made in Hollywood.

José Amádio apresenta Kim Novak em O Cruzeiro, 19 de março de 1960.



Kim Novak & Kubitschek, 1960

Kim Novak sambou nas ruas

Kim Novak perdeu a conta do número de pessoas que esteve ao lado dela, sambou ao
lado dela, fez gracinhas ao lado dela e até pegou em suas mãos, em ritmo de carnaval,
sem saber que era a glamorosa estrela de Hollywood, na sua mais fascinante aventura
de turismo no Rio. A história começou depois do Baile do Municipal, quando a moça
bonita resolveu fazer uma coisa que não estava no programa: rasgou o próprio programa.
Vestiu uma camisa rota e saiu por aí. Sentiu o Carnaval carioca em carne e osso. Um
carnaval fora de frisa, fora de palanque, que começou na Avenida e acabou no Teatro
República. Um folião mais animado, sem saber que estava com uma 'estrela' na mão,
pediu: 'Me dá um dinheiro aí'. E ela, em português de 24 horas (ensinado por Jorge
Guinle e Danuza Wayner) pediu também: 'Me darr uma dinherro aii'.

Texto de Eurilo Duarte para a Revista O Cruzeiro: 19 de março de 1960.


por aly . 3:45 PM .

Domingo, Janeiro 30, 2005


Editado por A. Durand & Fils, 1913

por aly . 2:12 PM .

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

C'EST LA DIFFÉRENCE...


Desfile Hubert de Givenchy: Paris, 1958


Desfile Alexandre Herchcovitch: São Paulo Fashion Week, 2005

por aly . 4:50 PM .

Segunda-feira, Janeiro 24, 2005


Jeanne Moreau & Miles Davis, 1957

Jeanne Moreau est née le 23 Janvier 1928 à Paris, d'un père français et d'une
mère anglaise...

por aly . 2:44 AM .

Sábado, Janeiro 22, 2005

aly: TRAÇADO AUTOBIOGRÁFICO (1920-1940)


aly et Milène de Saint Germain: Bois de Boulogne, Paris, 1926

Retornei ao Brasil em 1930 para auxiliar as tropas getulistas
no combate ao governo da oligarquia paulista no poder.
Instalei-me em São Paulo, aquando, em 1932, lutei com as
tropas do governo federal até a derrota final da mesma
oligarquia, que botava as manguinhas de fora, logo recolhidas.

Contudo, permaneci na capital paulista, sob os interventores
de Getúlio, onde criei vários cassinos que deram oportunidade
a muitos músicos locais, entre eles o Vassourinha, para citar
o maior deles à epoca. De cassino em cassino, de bar em bar,
continuei com Vargas, mesmo no Estado Novo: foi com a
Rádio Nacional que nosso maior estadista - com a estatização
desta em 1940 - delineou o perfil cultural disto que nós vivemos:
Brasil, bem ou mal.

Moro em S. Paulo até hoje, vivendo do bom e do marrom (glacé), sem mercê,
por aly . 12:45 AM .

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005


Totò, un'emozione per sempre

por aly . 7:34 PM .

Terça-feira, Janeiro 18, 2005


"AVISTA-SE o grito das araras."
JG Rosa, Ave Palavra.


O Luis Carmelo, do Miniscente, fez uma navegação
de cabotagem percorrendo a costa da Blogolândia/Br.
Tirou disto dois posts de muito afeto sobre a situação
de nossas praias de postação: amostras.

Obrigado, ó marujo!

por aly . 3:02 AM .

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005


Julian Murphy: Cinto

De Julian Murphy: "Nossa zona mais erógena é a nossa mente",

por aly . 8:55 PM .

Sábado, Janeiro 15, 2005


Pablo Picasso: Don Quijote y Sancho Panza, 1955


- Señor, las tristezas no se hicieron para las bestias, sino para los
hombres, pero si los hombres las sienten demasiado se vuelvem
bestias; vuesa merced se reporte y vuelva en sí y coja las riendas
a Rocinante y avive y despierte y muestre aquella gallardia que
conviene que tengan los caballeros andantes. ¿Qué diablos es esto?
¿Qué descaccimiento es éste? ¿Estamos aquí o en Francia? Mas que
se lleve Satanás a cuantas Dulcineas hay en el mundo, pues vale
más la salud de un solo caballero andante que todos los encantos
y transformaciones de la tierra.

Miguel de Cervantes Saavedra. El Ingenioso Hidalgo Don Quijote
de la Mancha. Madrid: Aguilar, 1957. Con 182 ilustraciones repro-
ducidas de diversas ediciones nacionales y estranjeras.


- Senhor, as tristezas não se fizeram para os brutos, mas para
os homens. Se os homens se entregam a elas com furor,
tornam-se brutos. Anime-se, apanhe as rédeas a Rocinante e
volva à galhardia que é própria dos cavalheiros andantes. Que
diabo é isso? Que esmorecimento é esse? Estamos aqui ou lá
em França? Que leve Barzabu a quantas Dulcinéias há no mundo,
que vale mais a saúde de um só cavaleiro andante que todas as
nigromancias e alterações da terra.

Sancho Pança a D. Quixote in O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote
de la Mancha. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1963. 2º vol.
Tradução de Aquilino Ribeiro.

2005: Ano do 4º Centenário da publicação de D. Quixote,

por aly . 5:56 PM .

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005


Guignard: Ouro Preto, 1960


MINAS GERAIS


MINAS É UMA MONTANHA, montanhas, o espaço erguido, a constante
emergência, a verticalidade esconsa, o esforço estático; a suspensa
região - que se escala. Atrás de muralhas, através de desfiladeiros -
passa um, passa dois, passa quatro, passa três... - por caminhos
retorcidos, ela começa, como um desafio de serenidade. Aguarda-nos
amparada, dada em neblinas, coroada de frimas, aspada de epítetos:
Alterosas, Estado Montanhês, Estado mediterrâneo, Centro, Chave da
Abóbada, Suíça brasileira, Coração do Brasil, Capitania do Ouro, a
Heróica Província, Formosa Província.


O quanto que envaidece e intranqüiliza, entidade tão vasta, feita de
celebridade e lucidez, de cordilheira e História. De que jeito dizê-la?
MINAS patriazinha. Minas - a gente olha, se lembra, sente, pensa.
Minas - a gente não sabe.

Sei, um pouco, seu facies, a natureza física - muros montes e ultramontes,
vales escorregados, os andantes belos rios, as linhas de cumeeiras, a
aeroplanície ou cimos profundamente altos, azuis que já estão nos sonhos -
a teoria dessa paisagem. Saberia aquelas cidades de esplêndidos nomes,
que de algumas já roubaram: Maria da Fé, Serro Frio, Brejo das Almas,
Dores do Indaiá, Três corações do Rio Verde, São João del-Rei, Mar de
Espanha, Tremedal, Coromandel, Grão Mogol, Juiz de Fora, Borda da
Mata, Abre Campo, Passa Tempo, Buriti da Estrada, Tiros, Pequi, Pomba,
Formiga, São Manuel do Mutum, Caracol, Varginha, Sete Lagoas, Soledade,
Pouso Alegre, Dores da Boa Esperança... Saberei que é muito Brasil, em
ponto de dentro, Brasil conteúdo, a raiz do assunto. Soubesse-a, mais.



João Guimarães Rosa in Ave, Palavra.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1978: fragmento.

por aly . 2:35 AM .

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Zhang Huan: 1/2, 1998


TAO É TAL:

VI


oco sem ódio remanesce
é como fêmea secreta

porta de fêmea secreta,
isto é, terra-universa

finalidade-sem-fim fica
sua usança não cessa


XVII

sem transpor a porta
conhece firmamento-abaixo

sem espreitar da janela
vê a via universal

tanto mais longe se sai
quanto mais pouco se sabe

por isso:

o homem-sábio
conhece sem viajar
vigia sem reconhecer
age sem se agitar

Tradução de Hector Olea: Sete Fragmentos do Tao T' Ching
In: Materia Mater-Materia ( 1974-1986)
São Paulo: Massao Ohno, 1986

Sobre Hector Olea:

"Deixaram teus caracteres acesos, tua pegada na noite de gizes.
Tua pintura, como os Lotus Flowers in the Wind de Hsu-Hsi, vinda
do Museu de Kyoto e o século X. [....] Volta ao Café de Flore. Ou
voltarei eu, talvez, a América algum dia. Teus ideogramas iluminar-
me-ão, mas não com lanternas de furta-fogo (pois não uso estátuas
de Avalokitesvara como pé de lâmpadas) porém, do zênite seminal
do teu pulso, da tua energia, do teu yang."

Severo Sarduy. Paris, 20 de junho de 1979.

Hector Olea é poeta, traduziu para o castelhano Macunaíma de Mário de Andrade,
João Miramar e Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrade; arquiteto, ensaísta,
curador do Museo Reina Sofía (arte latino-americana) e do Museum of Fine Arts, Houston.

& amigo de sempre,

por aly . 1:59 AM .

Quinta-feira, Janeiro 06, 2005


De George Herriman: Krazy Kat,
década de 20, detalhe.

Pesquisa, enquadramento, corte & recorte,
por aly . 8:17 PM .

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

BRASIL


Em suma:


FAMÍLIA RUSSA NO BRASIL

O soviete deu nisto,
seu Naum largou de Odessa numa chispada,
abriu vendinha em botafogo,
logo no bairro chique.

Veio com a mulher e duas filhas,
uma delas é boa posta de carne,
a outra é garotinha mas já promete.

No fim de um ano seu Naum progrediu,
já sabe que tem Rui Barbosa, Mangue, Lampião.
Joga no bicho todo o dia, está ajuntando pro carnaval,
depois do almoço anda às turras com a mulher.

As filhas dele instalaram na vida nacional.
Sabem dançar o maxixe
conversam com os sargentos em tom brasileiro.

Chega de tarde a aguardente acabou,
os fregueses somem, seu Naum cai na moleza.
Nos sábados todo janota ele vai pro crioléu.
Seu Naum inda é capaz de chegar a senador.


PERSPECTIVA DA SALA DE JANTAR

A filha do modesto funcionário público
dá um bruto interesse à natureza morta
da sala pobre no subúrbio.
O vestido amarelo de organdi
distribui cheiros apetitosos de carne morena
saindo do banho com sabonete barato.

O ambiente parado esperava mesmo aquela vibração:
papel ordinário representando florestas com tigres,
uma Ceia onde os personagens não comem nada,
a mesa com a toalha furada
a folhinha que a dona da casa segue o conselho
e o piano que eles não têm sala de visitas.

A menina olha longamente pro corpo dela
como se ele hoje estivesse diferente,
depois senta-se ao piano comprado a prestações
e o cachorro malandro do vizinho
toma nota dos sons com atenção.

Murilo Mendes: Poemas, 1925-1929
In Poesia Completa e Prosa. RJ: Nova Aguilar, 1995.

por aly . 3:02 PM .

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005


Foto de Lothar Wolleh: René Magritte, 1967

por aly . 4:59 PM .

Domingo, Janeiro 02, 2005


O Almocreve, como o imagino, em Lisboa, no Porto, sei?; antes de
viajar à província:


"Estamos de abalada. Estórias de assombramentos contadas à
lareira esperam por nós. Todos os anos a mesma coisa. Trotar pelo
campo, subir todos os muros, cruzar olhares, lembrar afectos.
Seguir a vida, felizes no incêndio do nosso coração. Uma paisagem
contra o tédio. Uma cadeia de milagres. Nesses instantes a alma
não tem discursos. Só memória."

Postado Quinta-feira, Dezembro 23. 2004, 5:34 AM: por masson,
o Almocreve.


O letteri foi incluído pelo Almocreve das Petas entre
Os Melhores Blogs de Autores Estrangeiros de 2004,
tal como se deu em 2003.

Almocreve, obrigado,

por aly . 3:26 PM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



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